Faça O Que Quiser

No livro A História Sem Fim (leiam porque é bem melhor que o filme) um dos jovens heróis da história recebe de presente um universo destruído e um medalhão mágico que lhe permite recriá-lo à sua maneira. O medalhão exibe duas cobras entrelaçadas, uma engolindo o rabo da outra, simbolizando a eternidade. Na parte de trás do medalhão, a frase “Faça O Que Quiser”. O garoto se vê frente a frente consigo mesmo, e com todo o livre arbítrio possível nas mãos.

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E o livre arbítrio é um pesadelo, é um peso enorme, meus amigos. Porque a cada escolha, há uma consequência, como nosso jovem herói rapidamente descobre.

Ter em mãos o poder de escolher o que fazer é o maior presente e castigo que a raça humana possui. Não somos pré-determinados, não saímos do útero programados. Tudo a gente aprende, e tudo a gente escolhe. O tempo todo, todo dia, fazemos uma escolha depois da outra. Ir de carro? Almoçar aonde? Ligar pra sua amiga e bater papo? Dizer que ama alguém importante? Aceitar a oferta de emprego? Ter um filho? Ir viajar? Fazer greve de fome em protesto ao que se acredita?

O tempo todo escolhemos as coisas pequenas e grandes, e isso é mais assustador do que parece. Porque assim como escolher o esmalte vermelho ou o rosa não deve afetar sua vida, escolher aceitar a oferta pra mudar de emprego muda muito. E a cada escolha, uma renúncia: o esmalte vermelho é lindo, mas abri mão do rosa. Casar é ótimo, mas nunca mais vou ficar com outra pessoa?

O lance é que as escolhas, quando claras, são fáceis. O novo emprego paga mais, é numa empresa boa e você conhece o chefe, ele é legal. Fácil: vai pro emprego novo. Porque você tem uma clareza, uma facilidade de entender e escolher. É claro que você nunca mais vai ficar com niguém; você ama demais o cara que escolheu pra marido. É óbvio que você vai ter o filho, você tá grávida e sempre quis ser mãe e tem uma vida financeira bacana e um companheiro pra dividir as dificuldades.

O problema é quando não é. Você ama a pessoa, mas não consegue ser fiel. Você sempre quis ser mãe, mas tá desempregada e o pai sumiu. A proposta de emprego novo paga bem, mas é do outro lado da cidade. O esmalte vermelho é lindo, mas você sempre gostou mais do rosa. E quando a questão é emocional, mais do que racional, aí é que enrosca. Porque envolve outra pessoa, envolve mágoa, envolve carinho.

Aí você quer ter tudo. Você quer comer o bolo inteiro e a cobertura também. Só que não dá, ninguém aguenta, ninguém lida. Só pode comer um pouco, senão engorda, faz mal, dá dor de barriga. E eu sei que o bolo é lindo. Eu sei. Mas não é assim que funciona o mundo. Escolha seu pedaço e coma até o fim.

bolo

Roubei a foto da Nena, que faz bolos maravilhosos mesmo. E esse bolo não-metafórico tá liberado comer mais de um pedaço. 

 

 

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