Usando cardigans

Durante algum tempo tive um relacionamento com um cara que só gostava do meu cabelo de um jeito: liso, comprido e solto. Reclamava se eu prendia ou dizia que ia cortar. Reclamava se eu dizia que ia mudar a cor.

Ele também achava que eu era um pouco chamativa demais; que ria alto demais; que tinha amigos demais; que me expunha demais; que usava decote demais; que aparecia demais. E ele odiava quando usava cardigans, por algum motivo que jamais entendi.

E eu, tonta que sou, mantive meu cabelo liso, solto e comprido por tempo demais. E baixei a voz e a risada, e tentei ser um pouco menos. E funcionou por um tempo, mas não pra sempre – raras vezes funciona pra sempre tentar ser quem você não é.

Porque eu sou fabulosa, gente.

fabulous

Hoje eu saí de casa com o cabelo trançado e preso num rabo de cavalo todo armado. E tô de cardigan ESTAMPADO. Eu amo cardigans e amo decote e amo rir e amo amigos e amo ser quem eu sou.  E nunca, nunquinha mais eu vou deixar que alguém interfira na minha vida assim. Senão, quando acaba (e sempre acaba se é nesse formato), eu fico muito destruída porque vivia em função do outro. É como se a me perdesse de mim e não soubesse nunca mais voltar pra casa que sou eu. Essa entrega absurda, esse desejo de agradar o outro, essa vontade de ser o que o outro espera de nós: isso não é amor, mesmo que pareça e que livros e filmes tenham feito a gente acreditar nisso.

Amor, antes de tudo, é amar a si. Depois é que conseguimos amar outra pessoa: quando estamos tão bem em nossa própria pele que somos amados exatamente por quem somos. Não há desejo de mudar o outro, nem de mudar a si pra se adaptar ao outro. É aceitar quem a outra pessoa é e desejar estar perto dela exatamente assim.

Amor é equilíbrio. Se há anulação em função do outro o tempo todo, se constrói uma relação dependente, não-saudável, onde um dos lados vive em constante infelicidade tentando se adequar e o outro em constante infelicidade por não conseguir amar alguém diferente do que imagina que deseja.

Mais fácil terminar. Quer dizer: terminar jamais é fácil. É doloroso, é assustador. A perspectiva de abrir mão de quem se supõe amar é terrivelmente doída. E pensar na solidão que vem depois é ainda mais doloroso. Por isso muitas pessoas emendam relacionamentos e repetem os mesmos erros. É a mulher que diz que todo homem não presta porque a trai ou o homem que diz que toda mulher perde a atração depois de um tempo. Essas pessoas não estão felizes e preferem a infelicidade ao lado de alguém do que a paz e a solidão temporária.

É uma escolha, suponho. Nesse momento de vida eu escolhi usar meus cardigans e prender o cabelo. E tá dando tão certo que tá até ficando bonito. 🙂

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3 comentários sobre “Usando cardigans

  1. Gabi, eu não te conheço mas quero dizer que, mesmo sem saber, vc me ajuda muito com seus textos. Sempre que leio algum deles é como se eu recebesse uma rajada de boas energias e um tapinha nas costas de “cara, eu sei que é dificil mas vai ficar tudo bem”.
    Se possível, nunca deixe de compartilhar suas histórias e visões de mundo pq elas são maravilhosas, verdadeiras e fazem um bem danado (espero que para vc tb ;))
    beijo!

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