Cadeirinha

Dêem play na música antes de ler. Vai ser legal.

Toda semana eu vou à terapia e presto atenção no consultório ao lado do qual eu sou atendida. Através da porta vejo uma poltrona estampada e, ao lado dela, uma cadeirinha em miniatura. É uma cadeirinha de madeira, simples, porém muito pequena para que alguém se sente, mesmo uma criança, e muito grande para ser colocada sobre uma mesa como decoração.

Certas vezes há uma caixa de lenços de papel sobre a cadeirinha, noutras ela está vazia, e essa semana havia um pequeno vaso de plantas sobre ela. O que nunca vi é alguém sentado na cadeira. É um cadeira que não foi e nem será usada para a função para a qual foi criada, a menos que um elfo ou gnomo resolva sentar-se ali. É uma cadeira-mesinha, cadeira-banquinho, cadeira-suporte, cadeira-enfeite. Só não é uma cadeira-cadeira. E que triste ser uma cadeira que é qualquer coisa, menos uma cadeira, por mais que se pareça com uma cadeira na forma e proporção.

Ontem à noite, depois de escrever um email muito longo que jamais mandarei, eu pensei nessa cadeirinha e na inadequação da existência dela. Em como ela existe por nada, em como outros objetos poderiam fazer o papel que ela faz de maneira mais completa e adequada, em como ela é desnecessária. Se a cadeirinha não estivesse ali, ninguém precisaria dela. Pra quê essa cadeirinha que nunca é o que deveria ser, que não consegue ser quem ela precisa ser? Fora com a cadeira.

E aí eu não chorei. Eu deitei e dormi, e acordei hoje sem chorar. E agora, espero que não chore, pelo menos por um tempo. Eu sento no chão, eu boto o vaso sobre o aparador, e a caixa de lenços eu não quero precisar.

respect

 

 

 

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