Velhos hábitos, novos erros

Bandinha daora de hoje: Hot Bodies in Motion, um pessoal de Seattle com dois albuns lançados, que faz um som inspirado por blues/soul/rockão 70’s. Lembra um pouco Black Keys mas é mais suingado.

Essa música fala sobre um cara e uma mina, e aparentemente ela zoou o relacionamento deles e ele ficou indo atrás dela por um tempo, ficando com ela de novo, levando mais porrada. Mas aí ele resolve mudar de ideia e diz:

Don’t misunderstand me when I say 
I’m gonna avoid you like the plague

(não me interprete mal quando digo
Vou evitar você como a peste) 

Porque de fato, old habits die hard, e é muito fácil a gente ficar na mesma rotina, cometendo os mesmos erros. E quando a gente comete os mesmos erros a gente se sente apenas estúpido. O negócio é cometer erros novos, porque aí apesar de estúpido a gente se sente aventureiro, ousado, disposto a correr riscos.

Por um 2015 com novos erros pra todos nós.

Anúncios

Se um dia me sentir bem

Break up songs são as piores. Porque geralmente elas vão por dois caminhos: o primeiro e mais comum é de sofrimento e de falar não aprendi dizer adeus, vou te amar pra sempre, vou ficar aqui pra sempre, etc. O segundo, apesar de menos comum, é igualmente clichê: é meio que de despeito, no sentido de dizer “eu tô ótima maravilhosa foda-se você seu ridículoooo”, sobreviver e tal.

E eu, como qualquer pessoa com um coração dentro do peito, gosto de ambas. Enquanto as primeiras servem para ouvir e chorar até secar, as demais ajudam muito na hora que você tá na boate com as amigas e amigos gays e faz um lipsync em cima do queijinho, fazendo passos maravilhosos.

Embora eu ainda não tenha chegado ao ponto das coreôs incríveis na Lôca, realmente não gosto de ficar sofrendo com música triste, comendo sorvete e ouvindo Adele em casa. Então foi um prazer relembrar essa musica do Phoenix e me identificar com ela imediatamente. Nosso herói (o autor) parece estar cantando para uma possível ~paquera~ e em linhas gerais ele vai dizendo que precisa aceitar que algumas partes da vida dele são impossíveis de controlar, que tá na merda, tá cagadão mesmo, que tá faltando um pedaço da vida dele, que ele tá na pior de maneira geral. Ele diz que percebeu que mesmo uma brisa pode derrubá-lo, que ele viu seus castelos caírem (mas que eles eram mesmo feitos de areia), que ele tem os amigos pra cuidar e ajudar, e que pode haver mais dignidade na derrota do que na vitória.

Por fim, ele avisa que vai ligar pra mina na hora que ele se sentir melhor, pra ela deixar o telefone com ele. Danadinho.

É a melhor break up song jamais escrita, amigos. É triste como deve ser, reflete o dia a dia, as batalhas internas e ainda deixa uma esperancinha pro final.  Depois de ~certa idade~, a gente sabe que vai superar as coisas, por mais que doa ou por mais que seja sofrido. Porque o futuro não sei exatamente como será, mas tenho aqui dentro a certeza de que cada dia é uma vitoriazinha, cada 24 horas são uma conquista. Aos pouquinhos eu vou vendo o que vem por aí.

oqvemporai

 

Saudades de uma música que nunca escrevi ou evitava escrever

Em todos esse anos nessa indústria vital a coisa que jamais aprendi é música e essa talvez seja a minha maior frustração da vida, mais do que não saber desenhar um círculo com compasso ou a fazer conta de dividir com vírgula sem calculadora. Eu não consigo tocar nenhum instrumento e sou incapaz de cantar uma nota afinada. Amo ir ao karaokê e cantar bastante, mas tenho consciência de que os aplausos que arranco são por performance, presença de palco e uma certa dose de caridade dos espectadores.

E eu queria muito saber fazer música, tocar um instrumento, cantar direitinho, qualquer coisa mesmo já estava bom. Como sou incapaz, me resta ouvir o que os outros fazem e achar bom. Por isso inauguro uma sessão aqui no blog: MÚSICAS QUE QUERIA TER ESCRITO E/OU PERFORMADO PORÉM NÃO O FIZ POR FALTA DE TALENTO MAS QUE SERVEM DIREITINHO PRA MINHA VIDA E PORTANTO DEVERIAM SER TRILHA SONORA DA MESMA, ou para resumir, Músicas Que Nunca Escrevi.

A primeira é essa aqui: Life is Life do Noah and The Whale. Dê o play e vai ouvindo enquanto lê.

Bandinha inglesa mais conhecida pela fofíssima 5 Years Time, em Life is Life eles capricharam demais no clipe com uma cheerleader dentuça que dá um berro e sai correndo pela cidade enquanto o vocalista Charlie Fink canta sobre recomeçar, sobre pegar as coisas que não te servem mais e tacar fogo. Sobre ser alguém a quem você possa admirar, sobre mudar pra isso. E sobre olhar e ver que sua vida nova tá começando e que isso é tipo o paraíso.

É uma música bonita e a mensagem é maior legal e otimista e positiva, fazendo desta uma excelente feel-good-song, pra ouvir nos dias que você precisa de um empurrãozinho a mais pra se sentir melhor.

Nível de amor: 5 balões e uma cheerleader.

Screen Shot 2014-10-08 at 6.57.20 PM