Chile: cheguei e ja gostei

Primeiro dia de Chile: O serviço de bordo foi simpático, porém a comida era horrorosa, é claro. Fiquei contente por escolher o chá e não o café. Preto, forte e sem açúcar, el té me deu uma acordada e me distraiu o suficiente para desconsiderar a gororoba de ovo e papas fritas que havia dentro da embalagem amolecida.

Já a conversa com as aeromoças me deixou apavorada: as chilenas falavam rápido e eu não entendia metade. Com a técnica de sorrir maniacamente e acenar com a cabeça, consegui passar pelo desayuno incólume e sem comer nada ofensivo.

Depois a gente voou por cima dos Andes e PUTA QUE PARIU QUE LINDO. Morri de medo, mas como é impressionante ver a cordilheira de cima, altíssima com seus picos nevados.

Já em terra, pra todo lado que se olha tem cordilheira. A cidade é cercada pelas montanhas, de um jeito bem bonito e sem ser claustrofóbico.

Como hoje todos os museus tavam fechados, fui dar um rolê no centro e comprar um oculos de sol, porque esqueci o meu em casa. Entrei na H&M, não achei nada legal, saí e comprei um pacote de biju na porta do metrô. No momento, acabo de jantar um ceviche delicinha e teria tirado foto, não fosse a fome que me assolava e que me fez engolir o peixe como se não houvesse o Pacífico logo ali pra pescar mais.

Amanhã tem mais emoções. Hoje foi tudo meio corrido, e ainda tô bem cansada del viajo. Sinto que vou dormir hoje bem cedinho.

Update: a fome era tanta que depois do ceviche finézimo entrei num TACO BELLS e comi unas papas fritas con todas las salsas picantes e foi um ótimo investimento: o equivalente a 5 reais e minha fome aplacada. Ceviche bom é se for rodízio, esse pratinho contido não adianta de nada mesmo.

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Olá, Andes

Daqui a uma semana saio de férias, daqui a duas viajo pra fora do Brasil pela primeira vez. E sozinha, pela primeira vez.

Acho que vai ser legal; espero que seja legal; rezo pra que seja legal, porque eu morro de medo de avião e vou voar em uma linda aeronave da Sky Airlines, de quem eu nunca ouvi falar, então é possível que na verdade eu vá parar na ilha de Lost, e se por um lado uma temporada em uma linda praia me pareça tentador, por outro tenho certo receio da fumaça preta me matar; e não tenho dinheiro e vou gastar com isso; então é melhor que seja muito legal mesmo senão eu vou sair atirando empanadas na cabeça dos passantes do alto do Cerro Santa Lucia em um surto emocional. Tem empanada no Chile, né?

Tem.

Tem sim.

Tudo que sei sobre Santiago: era barato e cabia nas milhas que minha mãe gentilmente cedeu. E tem parques bonitos que você pode alugar bicicletas e dar um rolê (de capacete, foi o que li, é obrigado a usar capacete. E meu cabelo? Vou levar secador. E a tomada, como é lá? Melhor raspar a cabeça antes de viajar?). Tem um passeio de bike por vinícolas, o que me parece temerário, porém altamente divertido. Tem a casa do Neruda, tem o Valle Nevado ali pertinho, onde por uma módica quantia esta caipira que vos fala vai ver neve pela primeira vez. Considerando minha caipirice, é provável que eu peça a desconhecidos que tirem fotos minhas constrangedoras na neve, ou tente construir um boneco de neve usando todo meu talento manual com resultados igualmente constrangedores. E tem salmão, porque todo salmão do Brasil vem numas caixas escrito Product of Chile, então suponho que seja de lá.

Linda imagem de Santiago; ao fundo os Andes, no meio a parte onde vou me perder várias vezes.

Linda imagem de Santiago; ao fundo os Andes, no meio a parte onde vou me perder várias vezes.

Eu não falo espanhol. Eu não sei fazer conta de conversão de moeda. Meu estômago é sensível. Eu não tenho a menor noção de como se diz.”moço, me vê un engov porque eu fui no tour das vinícolas ontem e o ato de viver hoje tá muito difícil” (lembrete: googlar essa frase e levar anotada). Eu não tenho street credit, e embora tenha lido que Santiago é uma cidade calmíssima, estou preparada pra encontrar os Warriors no metrô.

Todos vocês, neuróticos, sabem do que estou falando: quem controla tudo direitinho morre de medo de se meter em um lugar desconhecido. E não me encham, eu sei que uma semana em Santiago não é exatamente uma grande e emocionante e periogosa aventura, mas eu faço lista de compras pra ir ao mercado, eu arrumo minhas meias separadas por cor, eu planejo cada passo da minha vidinha. Então essa coisa de passar uns dias sozinha, longe de amigos e familia, em uma cidade em outro país é bem nova e esquisita pra mim. Respeitem a velha.